Em muitos municípios, ainda é comum ver processos circulando entre setores com capas impressas, carimbos e assinaturas manuais. Essa rotina gera retrabalho, consome tempo e aumenta o risco de extravio.
Quando se fala em processo digital, muitos pensam apenas em escanear documentos e anexá-los ao sistema. Isso não resolve o problema. O papel continua existindo, agora com uma cópia eletrônica.
A mudança acontece quando o município entende que digitalizar processos não é digitalizar documentos, e sim organizar o caminho que eles percorrem dentro da prefeitura. E essa organização começa no Protocolo.
Onde começa o erro: assuntos não estratégicos e falta de fluxos
O Protocolo é onde o processo nasce, e é o assunto que permite ao sistema entender qual deve ser o seu caminho.
Um erro comum é cadastrar assuntos excessivamente específicos ou duplicados, como “compra de material de expediente” ou “compra de gêneros alimentícios”. Isso obriga a prefeitura a criar vários fluxos iguais para situações que, na prática, são do mesmo tipo. A orientação é utilizar assuntos mais abrangentes, que representem a natureza do processo, e não o item solicitado.
Exemplos:
- Solicitação de bem/material
- Solicitação de aquisição
- Ofícios
- Processos tributários (ITBI, IPTU, ISS)
- Requerimentos de servidores (férias, atestados, licenças, afastamentos)
- Atendimento ao cidadão
- Ou outras descrições que reflitam adequadamente a classificação interna dos processos
Com assuntos bem definidos, é possível configurar fluxos eficientes, evitando decisões manuais a cada novo protocolo.
O segundo erro: manter a lógica do papel dentro do sistema
Outro problema frequente é registrar o protocolo no sistema e, em seguida, imprimir a capa para o processo continuar fisicamente. O processo caminha no papel, mas não caminha no sistema.
Encaminhamentos não são registrados, despachos não ficam documentados e o sistema passa a acumular processos “em aberto” que já foram resolvidos fisicamente. Com o tempo, deixa de ser uma ferramenta de controle e vira apenas um registro inicial.
Quando os assuntos e os fluxos estão bem organizados, as responsabilidades internas definidas e a equipe capacitada para compreender o processo administrativo e o uso do Módulo de Protocolo, o cenário muda:
- O processo nasce no setor correto
- Não há necessidade de impressão
- Todos acompanham em tempo real o departamento responsável, os andamentos e a localização
Nesse momento, o controle passa a existir no ambiente digital, e o papel perde a função.
Digitalizar é mudar o método administrativo
O sistema permite processos 100% digitais, mas isso depende de organização. Sem método, o papel continua. Com métodoligia administrativa, o processo flui dentro do sistema.
Na prática:
- Processos não ficam parados em mesas
- Não há risco de extravio
- Prazos passam a ser acompanhados por setor
- O histórico fica rastreável para a Controladoria e o Tribunal de Contas
- O cidadão ganha mais transparência
Digitalizar, portanto, não é um ato apenas tecnológico, e sim administrativo. Essa lógica está alinhada à Lei nº 14.129/2021 (Lei do Governo Digital), que incentiva a desburocratização e o uso de soluções digitais para o trâmite de processos administrativos. Quando o município entende isso, o Protocolo deixa de ser operacional e passa a ser o centro do controle dos processos e o papel deixa de circular pelos corredores.


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